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Porto Alegre, Quarta-feira, 08 de setembro de 2010

23:45
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Paulo Scott

O Vectra parado em frente ao Pronto Socorro é um modelo 1998, GL, 2.2, tem quatro portas, vidros elétricos, bancos firmes que não causam desconforto à lombar em viagens longas, direção hidráulica, alarme anti-furto com ultra-som, travas elétricas, aparelho de ar-condicionado integrado, freios a disco nas quatro rodas, airbag duplo, dentro dele há três pessoas. No banco do motorista há um homem gordo com um corte profundo na falange medial do dedo indicador da mão direita, ele veste uniforme da polícia militar. No banco dianteiro esquerdo, há um homem magro com uniforme igual, em sua mão direita há um canivete e na esquerda um aparelho de MP3 portátil com 12 mega bites de memória. No banco de trás, há um garoto mulato aparentando 14 anos, seu cabelo está molhado, penteado pra trás, em volta do seu pescoço há uma gargantilha com uma plaqueta de prata falsa, está escrito: Roberta ama Daniel, suas pálpebras estão cerradas, a esquerda está bastante inchada, na sua testa há um corte de 8 centímetros que acompanha a sobrancelha direita, distanciando-se dela uns 2 centímetros, há sangue no seu peito nu, ele usa uma calça de abrigo cinza e sandálias de borracha. A pintura externa do veículo combina as cores verde, amarelo e branco, e ao lado da lanterna esquerda traseira, bem a baixo da tampa do porta-malas, há um adesivo com o símbolo da ONU e o escrito: cinqüentenário da declaração universal dos direitos humanos.



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